Desenho 3 2006-2007

 

Área Científica                                  D (Desenho / CAD des. assistido comp. / Geometria)

Semestre Curricular                         3

Horas de contacto por semana        4

Créditos ECTS                                    4

Precedência                                      Desenho 2

 

 

Docente

Mestre Arqª Maria José Sardinha

 

 

Objectivos gerais

As unidades curriculares de Desenho 3 e Desenho 4 são um conjunto que surge na continuidade de Desenho 1 e Desenho 2. Nesta fase do percurso, pretende-se:

 

Sedimentar capacidades de observação, análise e registo do espaço arquitectónico.

Desenvolver a criatividade e a particularidade da expressão individual no domínio da representação e permitir uma progressiva autonomia de intenção gráfica.

Estabelecer uma relação transversal com Projecto, reforçando a ideia de que o Desenho deve informar o processo da procura de soluções.

 

Mais especificamente, pretende-se:
Conhecer e manipular os elementos básicos que compõem a linguagem visual, adequando-os às características do(s) modelo(s) que em dado momento se pretende registar.
Desenvolver as capacidades de observação, análise e registo, aceitando o desenho como forma de pensar. A pessoa que desenha pensa, vê, observa e desenha, pelo que é preciso aprender a pensar, a ver, a observar e a educar a mão.
Desenvolver as capacidades criativas do estudante no domínio da representação gráfica e a particularidade da sua expressão individual, recorrendo ao entendimento, exploração e adequação de potencialidades e comportamentos específicos dos meios gráficos.

Sensibilizar o estudante para a importância das relações lumínicas e cromáticas, como factor de estruturação fundamental do objecto e do espaço arquitectónico.

 

Metodologia
A metodologia utilizada assentará principalmente em aulas práticas, onde terá lugar a aplicação e experimentação dos conceitos estudados em cada unidade temática.
Haverá uma incidência teórica no início de cada exercício, onde terá lugar a exposição da matéria base e no final dos mesmos, a título conclusivo. Terá lugar nas aulas, como apoio à matéria base ou aos exercícios propostos, a projecção de imagens (acetatos e diapositivos) e vídeo, para além da entrega regular de documentação de apoio.
Os exercícios propostos serão realizados obrigatoriamente no espaço e no tempo da aula, com algumas deslocações ao exterior, quando as condições climatéricas o permitam. Só desta forma será possível a observação global do esforço, da perseverança e criatividade, manifestados pelo estudante. Serão propostos alguns exercícios paralelos ao tempo da aula, assim como alguns exercícios de síntese (com enunciados específicos). Pretendemos «enfatizar» as horas de trabalho aplicadas à prática do desenho, tanto no espaço da aula como fora dele.
Será valorizada a participação dos estudantes na apreciação individual e conjunta dos exercícios efectuados, através de uma análise crítica e de leituras comparadas, onde se pretende que haja diversidade e pluralidade na resposta aos exercícios propostos.
Sempre que se considere oportuno, serão organizadas conferências e/ou realizadas visitas de estudo, normalmente em conjunto com a turma de 1º ano, na unidade curricular de Desenho 1.


PROGRAMA

1. Análise e experimentação através do desenho. O desenho como forma de pensar.

1.1 Potencialidades dos meios gráficos actuantes, materiais de suporte e formatos.
1.2 Observação, análise e representação objectiva de formas e espaços arquitectónicos.
1.3 Conceito de Verosimilhança, como uma possibilidade que, para além da semelhança, possibilita a diferenciação individual dos semelhantes.
1.4 Noção de Escala. Complexidade, diferença e totalidade.
1.5 A proporção como relação de grandeza comparativa entre duas partes ou entre cada uma das partes e a grandeza total do(s) objecto(s) arquitectónico(s).
1.6 Construção sistemática de um desenho: Estrutura / Pormenores / Tons e Texturas.
1.7 Métodos de análise e representação gráfica. Aplicação a uma obra arquitectónica.

2. Luz e plasticidade no desenho. Elementos estruturais da linguagem gráfica:

2.1 Lineares.
2.2 Texturais.
2.3 Lumínicos.
2.4 Cromáticos.

 

Avaliação
O processo de avaliação é contínuo, processa-se através da crítica pontual individual, exigindo-se a presença sistemática do estudante na aula; baseia-se na apreciação qualitativa e quantitativa dos seguintes elementos: exercícios elaborados no decurso das aulas, com a consequente organização de um portfólio síntese, resultante da selecção dos registos mais significativos em resposta aos exercícios propostos; exercícios síntese, elaborados também no decurso das aulas; exercícios resolvidos paralelamente; diário gráfico (opcional) – os estudantes devem criar hábitos de registo gráfico quotidiano, pelo uso de pequenos cadernos portáteis (sketchbooks).

 

Critérios Gerais de Avaliação
Assiduidade: pretende-se que o estudante não exceda os 20% de faltas; no entanto, tendo em conta as características do corpo estudantil, com a existência de vários estudantes trabalhadores, este critério é por vezes contornado, embora em situações muito específicas e de modo pouco expressivo. Sempre que ocorrerem visitas de estudo ou noutras iniciativas no âmbito da unidade curicular, só serão admitidas faltas em situações muito específicas e com justificação antecipada.
O trabalho a desenvolver ao longo do semestre constitui-se pelos exercícios correntes resolvidos no espaço das aulas e ainda, em alguns exercícios práticos individuais de síntese (também preferencialmente resolvidos no espaço da aula) e um exercício paralelo de grupo ou individual (no âmbito da análise e representação gráfica).
A avaliação será feita através da observação directa aos estudantes ao longo do semestre lectivo, tendo em conta os seguintes critérios: o seu grau de empenhamento, interesse e curiosidade manifestados; compreensão, desenvolvimento e rigor demonstrados; organização, evolução, poder de síntese e crítica revelados; conhecimentos adquiridos; evolução de todo o trabalho produzido.
Às tarefas propostas já enunciadas, atribui-se um peso relativo de 40% para os exercícios correntes, 40% para os exercícios de síntese e 20% para o exercício de grupo. Outros elementos adicionais, como o diário gráfico, serão também analisados como trabalho complementar, assim como eventuais exercícios paralelos.

 

Materiais actuantes
Preferencialmente, sugere-se a utilização de riscadores (grafites, esferográficas, feltros, e afins), aquosos (canetas de aparo(s), pincéis, tinta da china, guaches, e afins) e de diferentes formatos (como exemplo, os graus de dureza, as espessuras); aceitam-se no entanto, outros materiais apropriados à realização de exercícios específicos, sugeridos pelos estudantes.

 

Materiais de suporte
Papel de máquina (80 a 100gr) e papel cavalinho A4, A3 e A2. Pontualmente podem ser utilizados outros tipos de papel, com propriedades diferentes (espessuras, texturas, cores), como o esquisso, manteiga, craft/reciclado, ou outras matérias, que sejam adequados à especificidade do exercício.


Bibliografia Básica(títulos existentes na biblioteca a negrito)

ALBERS, Josef - La interacción del color. Madrid: Alianza Editorial, 1996. (Col. Alianza Forma I).
ARNHEIM, Rudolf - Arte & Percepção Visual, uma psicologia da visão criadora. 7ªed. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1992. (Col. Arte, Arquitectura e Urbanismo).
BENEVOLO, Leonardo - Diseño de la Ciudad. Barcelona: Editorial Gustavo Gili.
BRUSATIN, Manlio – Desenho/Projecto, Enciclopédia Einaudi, Vol. 25. Lisboa: INCM, 1993.
CARNEIRO, Alberto – Campo, sujeito e representação no ensino do desenho. Porto: FAUP Publicações, 1995.
CHING, Francis D. K. ; JUROSZEK, Steven P. – Dibujo y proyecto. Barcelona : Editorial Gustavo Gilli, 1999.
CULLEN, Gordon - Paisagem Urbana. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Arquitectura & Urbanismo 1).
GOETHE, J. W. - Traité des Couleurs.
Paris: Éditions du Centre Triades, 1995.
ITTEN, Johannes - Art de la Couleur. Paris: Dessain et Tolra, 1986.
ITTEN, Johannes - Le Dessin et La Forme. Paris: Dessain et Tolra, 1995.
¾LENCLOS, Jean-Philippe et Dominique  Les Couleurs de L’Europe. Géographie de La Couleur. Paris: Publications du Moniteur, 1995.
LYNCH, Kevin - A Imagem da Cidade. Lisboa: Edições 70, 1988. (Col. Arte & Comunicação 15).
MASSIRONI, Manfred - Ver Pelo Desenho. Aspectos Técnicos, Cognitivos, Comunicativos. Lisboa: Edições 70, 1983.
MOLINA, Juan José Gómez (coord.) - Las Lecciones del Dibujo. Madrid : Ediciones Cátedra, 1995.
MOLINA, Juan José Gómez (coord.) - Estrategias del Dibujo en el Arte Contemporâneo.
Madrid : Ediciones Cátedra, 1999. (Col. Arte, Grandes Temas).
¾NICOLAIDES, Kimon  The natural way to draw. Boston: Hougthon Mifflin, 1976.
ROBBINS,
¾Edward  Why Architects Draw (Architects - Interviews). Massachusetts: The MIT Press, 1994.
RODRIGUES, António Jacinto - A Bauhaus e o Ensino Artístico. Lisboa: Editorial Presença, 1989. (Col. Dimensões / Série Especial 15).
¾ROSSI, Aldo  L’Architettura della Città. Padova: Marsilio Editori, 1966.
¾RUDEL, Jean  A Técnica do Desenho. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1980.
¾VIEIRA, Joaquim  O Desenho e o Projecto são o mesmo Porto:? FAUP Publicações, 1995.

 

Bibliografia Complementar
¾BERGER, John  Modos de Ver. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Arte & Comunicação 3).
¾CALVINO, Italo  As Cidades Invisíveis. Editorial Teorema, 1990. (Colecção Estórias).
¾CONSIGLIERI, Victor  A Morfologia da Arquitectura, 1920-1970, vol. 1. Lisboa: Editorial Estampa, 1994. (Colecção Referência 7).
CONSIGLIERI, Victor
¾ A Morfologia da Arquitectura, 1920-1970, vol. 2. Lisboa: Editorial Estampa, 1994. (Colecção Referência 8).
CONSIGLIERI, Victor
¾ As Significações da Arquitectura, 1920-1990. Lisboa: Editorial Estampa, 2000.
¾CÔRTE-REAL, Eduardo  O Triunfo da Virtude. As Origens do Desenho Arquitectónico. Lisboa: Livros Horizonte, 2001. (Colecção Horizonte Arquitectura ; 1).
¾FOCILLON, Henri  A vida das Formas. Lisboa: Edições 70, 1988. (Col. Arte & Comunicação 38).
¾HALL, Edward T.  A Dimensão Oculta. Lisboa: Relógio d’Água, 1986.
¾HICKEFHIER, Alfred  Le cube des couleurs. Paris: Dessain & Tolra, 1969.
KANDINSKY, Wassily - Curso da Bauhaus. Lisboa: Edições 70, 1987. (Col. Arte & Comunicação 36).
KANDINSKY, Wassily - Do Espiritual na Arte. 2ª ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1991.
KANDINSKY, Wassily - Ponto, Linha, Plano. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Arte & Comunicação 34).
KANDINSKY, Wassily - Gramática da Criação. Lisboa: Edições 70, 1998. (Col Arte & Comunicação 66).
KANDINSKY, Wassily - O Futuro da Pintura. Lisboa: Edições 70, 1999. (Col Arte & Comunicação 67).
¾LEYMARIE, Jean  Le Dessin, Histoire d’un Art. Genebra: Ed. Skira, 1979.
MATISSE, Henri - Écrits et Propos sur l’Art. Paris: Hermann, Éditeurs des sciences et des arts, 1972. (Collection Savoir: sur l’Art).
¾MIRÓ, Joan  Écrits et entretiens. Paris: Daniel Lelong Éditeur, 1995.
PANOFSKY,
¾Erwin  O Significado nas Artes Visuais. Lisboa: Editorial Presença, 1989. (Colecção Dimensões / Série Especial 14)
PANOFSKY,
¾Erwin  A Perspectiva como Forma Simbólica. Lisboa: Edições 70, 1993. (Colecção Arte & Comunicação 57)
RODRIGUES, Ana Leonor
¾M.  O Desenho. Ordem do Pensamento Arquitectónico. Lisboa: Editorial Estampa, 2000. (Colecção Referência 24).
¾RUSKIN, John  The Elements of Drawing (1857). New York: Dover, 1971. Londres: The Herbert Press, 1991.
 «O caso do pintor acromatóptico», in
¾SACKS, Oliver  Um Antropólogo em Marte. Sete Histórias Paradoxais. Lisboa: Relógio d’Água, 1996, pp. 25-67. (Colecção Antropos).
TANIZA
¾KI, Jun’ichiro  Em louvor às sombras. Maputo: Faculdade de arquitectura e Planeamento Físico (Universidade Eduardo Mondlane), 1999.
WITTGENSTEIN, Ludwig - Anotações sobre as cores. Lisboa: Edições 70, 1996. (Col. Biblioteca de Filosofia Contemporânea 4).